Contratos #3: Luz no fim do túnel

Quando chegou ao cume de um pequeno morro encoberto por folhas secas, Walters deteve-se a observar os arredores por alguns instantes. Depois de perscrutar a floresta em todas as direções, porém, foi obrigado a concordar que o homem que procuravam decididamente não estava disposto a correr riscos. Desanimado, então, ele gritou por cima do ombro:

– Nada, senhor!

A resposta veio lá de baixo:

Nada?! Mas que droga! Esse cara é um fantasma! – o líder da equipe hesitou brevemente, em seguida acrescentou: – Você tem certeza de que olhou bem, Walters? A floresta prega peças nos olhos dos desavisados.

Walters girou os olhos e reprimiu a custo um muxoxo de impaciência. Felizmente, o líder estava muito longe para tê-lo percebido.

– Sim, senhor, procurei com cuidado. – pressentindo que o outro iria insistir no assunto presunçosamente, Walters antecipou-se: – Mas de qualquer forma, vou dar outra olhada antes de descer.

– Certo, faça isso.

Com alguma dificuldade, ele se moveu para o outro lado do cume. Debaixo de seus pés, as folhas secas quebravam o silêncio da noite com violência. Lá embaixo, o líder da equipe sentiu-se inquieto, mas tentou eliminar qualquer sinal de censura na voz quando recomendou:

– Tente tomar cuidado para não sermos ouvidos.

– Pode deixar – Como se os seus gritos não fossem mais altos do que estas malditas folhas.

Walters apoiou-se em um tronco de árvore que havia em meio às raízes e pedras e fechou os olhos. Ponderava se valia a pena procurar de fato mais uma vez, visto que tinha certeza que seria um esforço infrutífero. No entanto, mais para descargo de consciência, ele agachou-se e seguiu até a beira do morro.

Num primeiro momento, não notou nada de diferente ou anormal na paisagem que o cercava. Aos poucos, porém, foi tomado por uma sensação de euforia, como se todas as partículas de seu corpo começassem a queimar. De início, ele não soube muito bem o que viu para que se sentisse assim, e foi quase por acaso que seus olhos tornaram a pousar no minúsculo ponto de luz que havia a distância.

– S… senhor! – sentiu a garganta seca, mas seu tom excitado traiu quaisquer tentativas de manter a voz firme. – Senhor, tem algo à frente, senhor!

Ocupado com sua nova descoberta, Walters não percebeu de imediato a ausência de uma resposta. Na verdade, vários segundos se passaram vibrando até que ele notasse que algo não estava certo.

O motorista do jipe estava sentado. Em seus olhos abertos, refletia-se o brilho do monitor, vindo do computador pousado em seu colo. No banco do carona, ao lado, jazia inútil seu rádio, o frio cortado, sem chances de comunicação.

Em seu peito, três marcas de tiros. No para-brisa, em frente, os buracos por onde as balas haviam entrado; e por todo o interior do veículo, sangue. Muito sangue.

Com a testa franzida e uma expressão concentrada no rosto, o homem careca remexia em alguns papeis na parte de trás do jipe. Sabia que, se é que a equipe tinha algum mapa detalhado da região, ele estaria ali.

A todo momento, lançava olhares incisivos para os quatro lados da clareira, os ouvidos apurados para qualquer som que denunciasse a aproximação de alguém indesejado. Parecia mais ameaçador do que nunca.

Porém, a todo o redor, a quietude da noite era tudo o que havia para se ver e ouvir.

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