Contratos #1: Uma noite sem estrelas

A luz da varanda piscou algumas vezes quando o homem a acendeu. Então, trêmula, iluminou a pequena área externa da casa e o rosto ruborizado do sujeito.

Seus cabelos flamejantes estavam desgrenhados, e isto, em conjunto com a sua grande barba, dava ao homem um ar de desleixo. Seus olhos negros viajavam a escuridão que cercava a casa, alertas. Era como se ele de fato esperasse por alguém na calada da noite. Ou melhor, era como se temesse alguma visita.

Mas ao redor, tudo estava num silêncio mortal. Salvo pelo farfalhar das enormes árvores, provocado pela brisa noturna, o único som que eventualmente se ouvia era o pio de alguma coruja à distância.

No interior da pequena casa de madeira, que se localizava em uma espécie de clareira, havia luz. Algo incomodamente convidativo, na opinião do homem, já que todo o resto do cenário estava mergulhado na penumbra. Mas estava sendo paranoico. Afinal, a floresta era grande demais para que qualquer pessoa o conseguisse encontrar. E além disso, ele não podia simplesmente ficar no escuro.

Mesmo assim, perscrutava a solitária escuridão com uma sensação crescente de ansiedade. Odiava a ideia de que pudessem vê-lo sem contudo permitir que ele os visse de volta.

Assim, esfregava uma mão na outra com apreensão, e a todo instante lançava olhares para o revólver pousado à sua frente.

Um pouco mais para o norte, um jipe de trilha acabava de desligar o motor.

Sem alarde, cinco sujeitos sentados na parte de trás do veículo pularam habilmente para o chão e se reuniram em um semicírculo. Todos estavam armados e uniformizados.

– Seguinte – começou o homem em cujo peito reluzia um distintivo que o identificava como o líder da equipe. – Não sabemos muito bem onde o suspeito está, embora tudo aponte para algum esconderijo aqui dentro da floresta mesmo. Como dito, acreditamos que ele esteja sozinho, mas todo o cuidado é pouco quando estamos lidando com quem de fato estamos lidando.

– Exatamente – complementou o sujeito à sua direita. – Os radares nos deram um raio de precisão de 5 quilômetros, então nossa busca não deve demorar muito. Apesar de o local ser extenso, se nos dividirmos conseguiremos chegar até Hubbs mais rápido.

No banco de trás do jipe, o pequeno computador de bordo exibia uma foto de um homem ruivo com olhos negros. Sobre seu peito, piscavam algumas letras que o identificavam como EDWIN HUBBS – PROCURADO.

– Precisamente. – recomeçou o líder da equipe. – Então estaremos operando a partir de três unidades diferentes: dois times móveis e um ponto de encontro que será aqui – ele deu uma batidinha na calota do jipe. – Muito bem, então… Finenberg, Bourne, vocês estarão com Samuels – ele indicou o homem à sua direita. – Walters, você vem comigo.

Os três assentiram em silêncio e se dirigiram para seus respectivos companheiros. O motorista do jipe se pronunciou:

– Eu permanecerei aqui para cuidar do equipamento e dar qualquer suporte que vocês julgarem necessário. Como temos um mapa razoavelmente preciso aqui no jipe, serei de mais valia dando as coordenadas do que de fato agindo.

O líder da equipe confirmou. Depois, voltando sua atenção para os demais, passou-lhes as últimas orientações:

– Vocês três, então, sigam para sudoeste. Se meus cálculos estiverem corretos, devem encontrar um rio em alguns quilômetros. Se o encontrarem e não acharem sinal do nosso homem, provavelmente seguimos para a direção errada. Nesse caso, podem tomar alguma trilha que os leve de volta para leste. – os três assentiram. O líder virou-se para seu parceiro: – Walters, eu e você vamos para oeste.

– Certo, senhor.

As duas equipes caminharam para lados diferentes da clareira onde o jipe se encontrava. Ao chegarem aos extremos, foi a vez de Samuels se virar e falar:

– Lembrem-se de tomar todo o cuidado. Qualquer sinal do homem, não hesitem em mandar um pedido de ajuda. Se não o encontrarmos dentro de uma hora, tornamos a nos reunir aqui. Qualquer problema que por ventura tenham com os comunicadores, utilizaremos este local como ponto de encontro.

Com um último aceno, todos se voltaram para a escuridão e desapareceram de vista.

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